Vane estava no meio do quarto, olhando fixamente para o chão, antecipando o momento em que ele a tocaria. A luta para resistir à tentação começaria novamente.
Zackary ficou de pé ao lado dela, e tirou o elástico que estava prendendo seus cabelos. Os dedos dele eram gentis, passando pelos fios sedosos até que estivessem soltos sobre os ombros.
De algum jeito estranho, a pele dela aqueceu, foi uma das coisas mais íntimas que ele já havia feito. Até mais do que o sexo.
Depois ele pegou os cabelos com as duas mãos e ela sentiu os lábios dele acariciarem-lhe a nuca.
O corpo inteiro de Vane estremeceu com o toque da boca de Zackary e ela desejou saber se ele sabia disso. Provavelmente, sim. Ele sabia tudo sobre o corpo das mulheres e suas reações. Sabia, e explorava seu conhecimento. Qualquer sinal de fraqueza poderia ser sua ruína.
Em seguida, ele disse no ouvido dela:
- Não me faça esperar muito tempo, cara - e se afastou, mas somente para se despir. E ela sabia que ele esperava que ela fizesse o mesmo, ali na frente dele. E não havia razão para hesitar, pois ele já a havia visto nua.
Não tinha mais nada para esconder dele, mas suas mãos ainda estavam lentas e relutantes quando passou o suéter pela cabeça e o jogou na cadeira ao lado. Tirou a calça, mantendo-se de costas para ele.
A aproximação dele foi silenciosa. Só percebeu que ele estava perto quando colocou os braços para trás para desabotoar o sutiã e o sentiu afastando sua mão para que ele mesmo desempenhasse a tarefa.
Ele virou-a lentamente, deixando-a sentir o calor do peito dele, o calor do corpo excitado. Os dedos dele circundavam seus mamilos, fazendo-os inchar como botões de rosas.
- Bellissima. Deliciosa.
Uma das mãos desceu para dentro da calcinha, em busca do triângulo sedoso na junção das coxas.
- Não. - Ela fechou a mão em volta do pulso dele, proibindo que ele fosse mais adiante. - Pare, por favor.
Ele parou e disse:
- Diga-me uma coisa, Vanessa mia, por que você tem tanto medo do prazer?
- Não tem nada a ver com medo - Vane disse, imóvel, ciente de que estava tremendo por dentro. Ela afastou-se dele e respirou fundo. - Você tira três anos da minha vida, destrói minhas esperanças de felicidade e depois me possui. - Ela levantou a voz. - E eu devo estar agradecida e desejosa? - Ela sacudiu a cabeça. - Em seus sonhos, signore.
Por um momento, Zackary não se moveu ou falou.. Então, de repente, ele não estava mais segurando-a ou tocando nela. E foi se deitar na cama.
Vane foi para a cama, resistindo ao impulso de se cobrir com as mãos. Mas, longe de regozijar-se com a aproximação dela, Zac estava deitado olhando fixamente para o teto.
Vane entrou apressada embaixo do cobertor, puxando-o até os ombros, depois ficou imóvel.
Mas ele não se mexeu, e os longos minutos que passavam fizeram sua tensão aumentar e o tremor se intensificar.
Finalmente, ele virou o rosto e olhou para ela.
- Vamos fazer um acordo, Vanessa - ele disse. - Beije-me e eu não peço mais nada de você esta noite.
Vane encarou-o, depois encontrou voz de algum lugar.
- Você vai me deixar dormir só com um beijo? -Acabei de dizer isso.- Mas eu achei que você quisesse...
- Sem dúvida. Mas acho que não estou mais com vontade de tratar você com a gentileza que deveria. -Ele acrescentou, friamente: - Então acho que talvez eu mereça um pouco de gratidão, se meu único pedido é um beijo. Você aceita minha proposta, condessa?
Ela respondeu, hesitante:
- Sim.
- Bene. - Ele esperou um pouco, observando-a. M Mas você vai precisar chegar mais perto, cara mia.
Mordendo o lábio, Vane aproximou-se, os lábios encostando rápida e desajeitadamente nos dele. Houve um silêncio tenso, depois ele disse:
- Esta pode ser sua idéia de beijo, Vanessa, mas não é a minha.
- Sinto muito se você não está satisfeito...
- Isso é uma mentira. Só quero que você se esforce um pouco mais. - Ele levantou a mão e segurou a parte de trás da cabeça dela.- Então beije-me novamente, cara mia. Beije-me como você me beijou há muito tempo, naquela noite na casa do seu pai.
- Mas... mas foi quando eu pensei que você era... outra pessoa.
- De verdade, bella mia? - Zac perguntou cinicamente. - Já me perguntei algumas vezes como isso pôde ser possível. Mas, se é mais fácil para você, finja mais uma vez que sou outra pessoa.
A mão a puxava para mais perto da boca dele.
E, dessa vez, ela permitiu que o contato se prolongasse. Porque era isso que ele queria, ela disse para si mesma. E era um pedido sem importância perto de todos os outros.
E ele começou a beijá-la, a boca mo vendo-se na dela lentamente e depois com mais pressa, aprofundando o desejo.
Até que ela mal conseguisse respirar. Ou raciocinar.
E, de repente, terminou.
- Uma grande melhora - ele disse em um tom tão impessoal que Vane, ainda tonta, quase esperou que ele fosse lhe dar uma nota. - Agora durma, cara - ele acrescentou. - E que todos os seus sonhos sejam doces.
Ele virou-se para apagar a lâmpada, deixando-a com a imagem nítida das linhas das costas nuas dele.
Vane também virou-se. Estava tensa e ofegante. E surpresa por Zac ter mantido a palavra.
Ela estava abalada com a própria reação. Com vergonha de sua fraqueza. E agora havia mais um preocupante aspecto da situação com que tinha de se confrontar.
Aquela noite, muito tempo atrás...
Eram palavras que a perseguiam no momento. A sugestão de que ela sabia muito bem que não era Simon quando se jogou nos braços dele.
Mas isso não fazia sentido. Estava escuro, ela era muito jovem e estava muito nervosa. Além disso, era Simon quem estava esperando. Ninguém mais. Porque Zac estava com Jilly.
E Zac não tinha o direito de sugerir qualquer outra coisa. Como se eu quisesse descobrir como era estar nos braços dele ou ser beijada por ele.
No entanto, Vane estava tremendo, com os braços em volta do corpo em um gesto de autoproteção.
Porque sabia que nunca tinha conseguido esquecer aquele breve momento, por mais que tentasse. Era possível ter havido um segundo naquela noite em que ela não tivesse querido recuar? Em que, incrivelmente, tivesse desejado continuar e intensificar o beijo?
Na referida noite, o instinto lhe dissera que tinha se aproximado de uma zona de perigo que até então não sabia que existia. E ela sepultara todas as dúvidas.
Mas agora Zac as trouxera à tona para atormentá-la. Porque ela nunca conseguira apagar completamente aquela quase indiscernível excitação física.
Vane fechou os olhos, depois abriu novamente.
Aquela noite, muito tempo atrás...
Ocorreu-lhe que esta havia sido a primeira vez que Zac falava sobre o assunto. Até agora, ele se comportava como se ela nunca tivesse acontecido.
E agora, ela pensou, tenho deparar de pensar nele e tentar dormir.
Ela caiu no sono, mas não foi um repouso tranqüilo. Foi assaltada por alguns pesadelos. E, depois, ela não soube o que a despertou. Mas quando abriu os olhos teve a impressão de estar quente, relaxada e deliciosamente confortável. Tudo isso em contraste com um sono agitado.
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